"As vezes ouço passar o vento, e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido”
(Fernando Pessoa)

8 de agosto de 2012

Com aumento da frota de veículos, vê-se um horizonte sombrio


Fonte: Jornal Hoje em Dia - 08/08/2012 06:08

Se a tendência atual se mantiver, o número de veículos circulando pelas ruas da capital mineira deve mais do que dobrar até 2020, chegando a 4,8 milhões. A cidade não se prepara para isso, talvez porque a perspectiva, de tão terrível, tenha efeito paralisante sobre nossos planejadores, que estão habituados ao planejamento de curto prazo, mas raramente lidam com situação tão desesperadora. Há escassez de recursos e ideias para evitar que dentro de oito anos o tráfego de veículos e a mobilidade das pessoas na cidade estejam totalmente travados.


Já se percebe uma nuvem negra pairando sobre nosso belo horizonte. Ao adotar sem reservas a economia baseada na indústria automobilística, o Brasil armou para si mesmo uma arapuca, que começa a se fechar sobre nossas cabeças. Há mais de meio século, nossos dirigentes e empresários se inspiraram nos Estados Unidos, o país mais bem sucedido desde a segunda guerra mundial. Mas os brasileiros não tiveram a mesma sabedoria dos norte-americanos para manter e até fortalecer outras formas de transporte, como o trem de ferro e a navegação fluvial e marítima. O Brasil deixou acabar a navegação de cabotagem, que já foi importante no transporte de pessoas e cargas de um ponto a outro de nosso extenso litoral.


E o que se viu neste ano, quando nossa economia deu mostras evidentes de fragilidade, sob o peso da crise financeira internacional, foi o governo Dilma Rousseff incentivando a produção de mais automóveis, acreditando que assim estaria garantindo empregos e levando felicidade ao povo. De fato, com IPI 24% menor para automóveis, os preços das montadoras caíram. A produção de veículos cresceu 8,8% em julho na comparação com junho, as vendas aumentaram, mas o governo precisou fazer ameaças para segurar os empregos de uma fábrica da GM em São Paulo.


Enquanto isso, o governo de Minas anunciava investimentos de R$ 3,2 bilhões para a pavimentação de quase dois mil quilômetros, etapa do programa Caminhos de Minas, lançado em 2010. É a economia baseada na indústria automobilística que não pode parar. E que, aos poucos, vai paralisando o trânsito nas cidades já sufocadas pela poluição provocada pelos motores dos veículos.

O que se prevê para 2020 talvez não seja ainda o ponto de ruptura, mas já estamos caminhando, inexoravelmente, para um novo modelo de economia, pois o atual está se esgotando. Quem sabe, para uma economia baseada nos recursos em vez do dinheiro.

Link para reportagem original: Jornal Hoje em Dia

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