"As vezes ouço passar o vento, e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido”
(Fernando Pessoa)

22 de março de 2012

22 de março - Dia mundial da água




Planeta Água

Guilherme Arantes

Água que nasce na fonte
Serena do mundo
E que abre um
Profundo grotão
Água que faz inocente
Riacho e deságua
Na corrente do ribeirão...
Águas escuras dos rios
Que levam
A fertilidade ao sertão
Águas que banham aldeias
E matam a sede da população...
Águas que caem das pedras
No véu das cascatas
Ronco de trovão
E depois dormem tranqüilas
No leito dos lagos
No leito dos lagos...
Água dos igarapés
Onde Iara, a mãe d'água
É misteriosa canção
Água que o sol evapora
Pro céu vai embora
Virar nuvens de algodão...
Gotas de água da chuva
Alegre arco-íris
Sobre a plantação
Gotas de água da chuva
Tão tristes, são lágrimas
Na inundação...
Águas que movem moinhos
São as mesmas águas
Que encharcam o chão
E sempre voltam humildes
Pro fundo da terra
Pro fundo da terra...
Terra! Planeta Água
Terra! Planeta Água
Terra! Planeta Água...
Água que nasce na fonte
Serena do mundo
E que abre um
Profundo grotão
Água que faz inocente
Riacho e deságua
Na corrente do ribeirão...
Águas escuras dos rios
Que levam a fertilidade ao sertão
Águas que banham aldeias
E matam a sede da população...
Águas que movem moinhos
São as mesmas águas
Que encharcam o chão
E sempre voltam humildes
Pro fundo da terra
Pro fundo da terra...
Terra! Planeta Água
Terra! Planeta Água
Terra! Planeta Água...

8 de março de 2012

DESBRAVANDO A SERRA NEGRA EM BETIM


Link p/ mapa: http://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=2547485

Bikers: Emerson, Vítor, Germino e Luiz
Data do pedal: 26/02/2012

Serra Negra em Betim/MG

Depois de vários pedais básicos, por locais bastantes conhecidos, também durante o carnaval, sem muitas histórias para contar aqui no Blog, finalmente tenho novidades para aqui postar.

Em uma manhã de domingo, estávamos Eu e Vítor pedalando pelas bandas da Serra Negra, quando paramos para tomar aquele fôlego. Bem na nossa frente estava a Serra Negra, ponto culminante do município de Betim, com oficialmente 1.100 metros de altitude.

A referida serra está situada na parte norte do município de Betim, bem na divisa com o município de Esmeraldas. Provavelmente o nome Serra Negra se deve a cor escura das formações florestais ainda ali existentes, embora as pastagens exóticas de Brachiária teimam em “subir” a serra.

Naquele momento caí na bobagem de comentar com o Vítor: Tenho vontade de ir até o topo da Serra Negra, nunca fui até lá. O Vitor respondeu “na lata”: Vamos subir lá pedalando...
Naquele dia já estava um pouco tarde e também não estávamos preparados psicologicamente para tal aventura, mas combinamos em subir a Serra Negra depois do carnaval.

A estrada, digamos oficial, que vai até o topo da Serra Negra, onde há uma torre, sai da rodovia MG 060, próximo ao trevo de Caio Martins. Ir pedalando por este caminho a partir de Betim, dá um percurso um pouco puxando, além dos perigos de pedalar em uma rodovia sem um centímetro de acostamento.

Portanto coube a mim descobrir outro caminho até o topo da Serra. Como sempre, recorri a “São Google Earth”. Após análises de imagens e cálculos de distâncias e desníveis, chegamos a dois possíveis caminhos. Um subindo pela Fazenda Santa Cruz, passando ao lado de uma mineração abandonada e outro passando pelo Condomínio Fazendas da Serra e Fazenda do João Eugênio.

Decidimos então subir pela Fazenda Santa Cruz. Baixei o percurso completo no GPS, pois ficar perdido não é nada bom...

Domingo, 26 de fevereiro de 2012, conforme previamente combinado, saímos rumo ao topo da Serra Negra. Esperei o Vítor em frente a Igreja Batista Lagoinha e fomos em direção ao Açude às 7:00 horas. Na travessia da linha férrea, próximo a Sítio Trem das Onze, o Germino e Luiz já estavam a nossa espera. Partimos em direção a Fazenda Santa Cruz, viramos a esquerda sentido Marimbá e logo depois a direita.

Notei que algo não estava bem com o Vitor: o sujeito estava pálido e suava prá caramba. Perguntei se estava tudo bem e ele disse que sim. Então pulamos uma cerca e pegamos uma trilha, antiga estrada de acesso a uma mineração. Uma subida pouco acentuada, mas muito técnica: muito cascalho e pedras soltas, além de raízes e galhos de árvores.

O Vítor foi ficando para trás. Paramos para esperar e aproveitamos para tirar umas fotos. Neste momento o Vítor chegou completamente pálido. Desceu da bike e já foi “chamando o juca”. O sujeito dava cada urro que até retumbava pelos vales e matas (com um pouco de exagero, é claro). Logo pensei: acabou a trilha e a subida à Serra Negra.

Mas que nada, o sujeito ficou foi mais animado: vamos lá, dá para continuar, temos que chegar no topo da Serra Negra. . .

Continuando o pedal, o Luiz estava na minha frente quando foi passar sobre um galho de árvore caído no chão. O galho levantou a ponta e passou “ventando” na minha orelha. Por pouco não foi um nocaute.

Encontramos pelo caminho algumas árvores caídas na trilha, um pouco de dificuldade, mas os obstáculos foram sendo transpostos. Chegamos na mineração abandonada e perdemos muito tempo procurando caminho. Não encontramos a continuação da trilha. Depois de analisar as informações do GPS, descobrimos que erramos o caminho. Voltamos um pouco e achamos a trilha subindo a direita.

A partir daí teve muita trilha, muita subida, muito empurra bike, muita tronqueira, muito pula cerca, muita reclamação, muita conversa fiada para aliviar o sofrimento, muita adrenalina . . . e um tombo meu.

Chegamos então ao topo da Serra Negra, com 1.157 metros de altitude (no GPS), cansados, com o sol castigando bastante. Como era de se esperar, não teve cachoeira no percurso, mas lá no alto havia uma ducha ao lado de uma construção anexa a torre. A turma fez a festa, afinal era um oásis naquele alto de serra.

Após o objetivo conquistado, pausa para descanso, admirar a paisagem, fotos e lanche. Mas agora era hora do retorno. O Luiz não queria voltar pelo mesmo caminho. Então decidimos descer pelo lado oposto à subida, ou seja, em direção a Fazenda do João Eugênio e lá fomos nós. Seguindo o trajeto salvo no GPS, subimos uma trilha cheia de pedra, pulamos mais uma cerca, descemos em uma cascalheira abandonada e pegamos uma estradinha dentro da mata. Foi um DownHill alucinante. A descida cheia de curvas, cascalho, pedras, capim, árvores, buracos, galhos secos e não sei lá mais o quê não acabava nunca.

Sem tombos chegamos na Fazenda do João Eugênio, descemos até a estrada da Serra Negra (Trilha dos Bandeirantes) e seguimos sentido Betim. Como já estava muito tarde, em frente ao Condomínio Fazendas da Serra, Eu e Vitor seguimos sentido Liberados e o Germino e Luiz seguiram sentido Açude, percursos mais curtos até nossas casas.

Finalmente chegamos em casa por volta de 14:00 horas após 46 quilômetros de pedal em muita trilha radical e estradões de terra, com um tombo meu, algumas câimbras, dois pneus furados, um do Vítor e outro do Germino.

Fica aí uma sugestão de trajeto para aqueles bikers que insistem em dizer que em Betim não existem trilhas radicais!!!

Inicio da trilha na região da Fazenda Santa Cruz

No meio da trilha tinha um monte de árvores caídas...

Vítor "chamando o juca"

Mineração abandonada

Vista para sul

Só no empurra bike

Mais empurra bike
Aquela sombra abençoada

Mais uma sombra abençoada

Lá no alto está nosso objetivo

Na sombra de um Pau Terra gigante

Admirando a paisagem

Torre no topo da Serra Negra

Luiz tomando aquela ducha e Vitor querendo suicidar, ou voar, sei lá!

Luiz tomado uma ducha abençoada

Betim lá longe . . .

Vista para os lados de Esmeraldas

Outro cucuruto da Serra Negra

Hora de descanso. Mas não tinha uma sombra. . .