"As vezes ouço passar o vento, e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido”
(Fernando Pessoa)

19 de dezembro de 2011

VAMOS BOICOTAR O PAPAI NOEL


Na véspera de mais um natal, republico, mais uma vez, o texto do Sacerdote Luis Erlin.

A princípio parece até muito radical, mas como tudo no mundo, há sempre verdades a considerar: Enquanto as classes média e alta gastam fortunas na compra dos tais presentes, lembranças, ingredientes para a tão esperada Ceia de Natal, uma grande parte da população mundial passa fome, obviamente o ano todo. Então cabe a cada um de nós repensar sobre nossos hábitos e atitudes. É claro que estas pessoas precisam de ajuda, solidariedade e muitas vezes de "apenas" carinho o ano todo. Portando ajuda a creches, asilos e a população carente de uma forma geral é sempre bem vinda não somente no Natal, mas o ano todo.

Então vamos ao texto de Luis Erlin* . . .

"No Natal do ano passado, lembro-me de ter visto uma reportagem sobre as festividades de fim de ano nos Estados Unidos. A repórter frisou que existe uma corrente que quer a todo custo desarticular a festa natalina com a pessoa de Jesus Cristo. Os capitalistas daquele país querem apagar o lado religioso e sagrado do Natal para transformá-lo na festa do Papai Noel.
E como estão fazendo isso? A idéia é ir aos poucos eliminando qualquer elemento simbólico que lembre o nascimento de Cristo. Segundo eles, Jesus não dá lucro, não incentiva o consumo. Assim, as lojas investem pesado no novo garoto propaganda que não é tão novo assim o velho Papai Noel.
 
Seria somente lá? O pior é que não!

Anos atrás eu fui visitar uma turma da catequese e perguntei: O que comemoramos no Natal? A menininha respondeu prontamente: O nascimento do Papai Noel! Isso parece absurdo, conto da carochinha... Porém, se fizermos uma análise global, perceberemos que a luta está acirrada entre o sagrado e o profano...

Basta fazermos uma rápida visita ao centro comercial de nossas cidades (em dezembro) para constatarmos que Cristo está enfraquecido ante aquilo em que a festa vem se transformando. A regra é vender... Lojas abertas vinte e quatro horas, shoppings abarrotados de gente... E lá está ele, belo e formoso, em todo canto que você olha... Tirando fotos com as crianças, distribuindo doces... Inocente e inofensivo, aos poucos, de tão acostumados com ele, vamos perdendo o sentido do advento.
 
As crianças esperam o Papai Noel, não fazemos mais a novena de Natal. E vamos às compras... Cristo? Bem, Cristo é um detalhe nessa história toda. Lamentavelmente até nossas celebrações litúrgicas incorpora de forma ridícula essa simbologia nada religiosa. Pode parecer inacreditável, mas eu já participei de uma missa do galo, em que na ação de graças entrou pela nave central o Papai Noel ao som de Sapatinho de Natal.

Vamos boicotar o Papai Noel! Esse título parece obra de ficção científica, ou coisa do gênero, mas é uma tentativa de resgatar a tradição milenar cristã e focar o sentido naquele que é a única razão do Natal... O aniversariante, ou melhor, o verdadeiro aniversariante.

Boicotaremos o Papai Noel resgatando lentamente a rica simbologia natalina que vem se perdendo, de modo especial o Presépio. Comece pela sua casa, deixe o bom velhinho dentro do guarda-roupa, para enfeitar sua sala com o Menino Deus.

Ademais, o velho Noel não deve se sentir bem no Brasil. Aqui é muito quente para ele. Neve em pleno verão? Renas? Trenó? O que estas coisas têm a ver conosco? Importamos de longe esses elementos, para uma única finalidade: o exagero do consumo. A não ser que nos sintamos em New York."

* Luis Erlin é sacerdote missionário claretiano.

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