"As vezes ouço passar o vento, e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido”
(Fernando Pessoa)

19 de julho de 2011

DOIS ANIMAIS E DOIS DESTINOS - I


Voltando de minhas andanças, afinal é mês de julho e estou de férias, resolvei escrever estes Posts sobre o destino de dois animais que encontrei pelos caminhos onde andei. Afinal o respeito e a admiração pelo mundo dos animais ditos irracionais devm fazer parte de nossas vidas.

Então vamos ao primeiro “bicho”:

Estava eu pedalando de Morro do Ferro em direção ao Povoado do Ouro Fino, quando na região do Valinho resolvi mudar de rota e ir em direção a cidade de Passa Tempo visitar uma cachoeira situada na beira da estrada.

Para tanto, costumo virar a esquerda em direção a Serra da Manteiga e Serra da Bandeira , atravessando dentro de uma voçoroca já estabilizada e recoberta com bastante vegetação. É um local estreito e perigoso, se pender para qualquer um dos lados, já era. Mas passando por este local economizam-se boas pedaladas por uma subida íngreme e longa, portanto por lá fui eu.

Quando estava terminando de atravessar a voçoroca ouvi a direita um barulho no meio da vegetação, no fundo do buraco. Cheguei um pouco mais na beirada quando lá avistei uma vaca. Havia escorregado e caído ali e sem a ajuda do bicho homem morreria de fome e sede, ou seria devorada ainda viva por urubus que já estavam a espera do “banquete”. Era apenas uma questão de tempo.

O que mais me impressionou foi a expressão do animal quando me viu. Dava para ver em seus olhos uma mistura de alegria e desespero. Alegria, pois finalmente foi descoberta e haveria chances de ser resgatada e desespero por estar naquele local com fome e sede, só esperando a morte chegar.

Imediatamente liguei para meu pai (tá vendo a utilidade de um celular em uma trilha?) que prontamente ligou para o proprietário do animal. Este informou que havia dado falta do animal, procurando-o mas não o encontrou e que no outro dia iria ao local fazer o “resgate”, pois naquele dia já estava muito tarde.

No outro dia o proprietário do animal me ligou pedindo maiores informações sobre a localização (afinal é um local de difícil acesso e só um louco como eu para passar ali). Mais tarde voltou a me ligar agradecendo e dizendo que o animal estava bem, ou seja, um final feliz!!!

DOIS ANIMAIS E DOIS DESTINOS - II



Quanto ao segundo bicho, vamos lá:

Estava eu agora “motorizado” na Rodovia BR 494, Km 113,5, vindo de São Tiago em direção a BR 381, quando avistei um animal morto por atropelamento no acostamento da rodovia. Quando “bati” o olho no bicho, logo percebi que não era um animal comum, era um Lobo Guará. Imediatamente parei o veículo em local seguro, peguei minha máquina fotográfica e fui em direção ao animal. Ao chegar próximo tive outra surpresa ainda mais desagradável, era uma fêmea e o pior de tudo, estava amamentando. Pelas características o animal havia sido atropelado em menos de doze horas, provavelmente a noite, pois é um animal de hábitos noturnos. A “pancada” não foi muito forte, havia fratura exposta apenas em uma pata traseira. Era um animal sadio, com pelagem lisa e dourado brilhante, canelas longas e pretas e porte avantajado.

Seja de automóvel, bike ou a pé, é obviamente mais do que comum encontrar animais atropelados nas margens de rodovias, mas não havia como não se comover e impressionar com um animal daquele tamanho e beleza cuja vida foi ali retirada.

Fiquei pensando nos filhotes órfãos, provavelmente condenados a morte. Também, como é mania de nós brasileiros, fiquei imaginando quem seriam os culpados pela “tragédia”: O motorista? O Lobo? A rodovia que como quase todas no Brasil não possuem quaisquer dispositivos para travessias de animais silvestres?

O certo é que um animal raro, ameaçado de extinção, uma fêmea adulta, amamentado filhotes, uma sobrevivente que chegou a idade fértil estava ali, caída ao chão, sem vida . . .

Final lamentável !!!










3 de julho de 2011

Pedal de Morro do Ferro a Serra no Quebra Cangalha




Link p/ Mapa: http://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=1828236


Chegando do Pedal de Morro do Ferro a Lagoa Grande no dia 25 de junho, imediatamente comecei a pensar no possível trajeto para o Pedal do dia seguinte, 26 de junho.

Considerando que ainda estaria com o “traseiro” doendo e também com as pernas um pouco doloridas, imaginei um percurso curto, porém mais técnico que o do dia anterior.

Quando criança estive em uma Serra com uma formação rochosa de Gnaisse no topo, vizinha de uma propriedade rural pertencente a um tio, localizada próxima ao Povoado do Quebra Cangalha e do Laticínio Bom Destino. Naquela ocasião passei perto de uma cachoeira onde existiu a primeira usina hidrelétrica, cuja energia ali gerada abasteceu Morro do Ferro por bastante tempo. Também passei ao lado de um bloco de Gnaisse com uma cruz no alto que desde então passei a chamar de Pedra da Cruz.

Relembrando estes fatos decidi ir a estes locais e ver se eu estava bom de memória . . .

Como quase sempre recorri ao “São Google Earth”, baixei o trajeto e os pontos de referência no GPS, assim, pois lembrar até do percurso depois de uns vinte anos é pedir demais para minha humilde memória ...

Como estava dando uma distância muito pequena, decidi ir até a torre de celular, passar na capela do Morro do Cascalho, descer na Gruta de São João e seguir em direção aos locais de destino.

Então vamos a descrição do percurso:

A partir de Morro do Ferro segue-se em direção ao Povoado do Calafate, após uma subida virar a esquerda, passa em uma porteira branca (há uma placa com indicação da torre da Vivo Celular). Até a torre de celular é uma subida tranquila, com dois pontos de aclive elevado, passando ao lado de uma lavoura de café e uma plantação de eucalipto. Durante a subida há um belo visual da cidade e no topo pode-se avistar a BR 494 no sentido São Tiago e sentido BR 381. Também pode-se admirar um “mar” de morros e serras em todas as direções.

Retornando, vira-se a direita tomando a direção da Capela do Morro do Cascalho, com parada obrigatória para fotos, em seguida descendo em direção a Gruta de São João no sopé do morro. Esta decida merece comentários: dá até para fazer um DownHill, hora em cima da rocha, hora em muito cascalho solto.

Após a Gruta, vai circulando o Morro do Cascalho, tendo o Ribeirão a esquerda, passando por propriedades particulares até chegar em uma estrada onde vira-se a esquerda, até chegar a Rodovia BR 494.

Ao chegar à rodovia, vira-se a direita na beirada de um sítio com cerca de réguas brancas, passando por uma tronqueira. Desce por uma trilha, segue a direita em uma bifurcação após cerca, atravessa um curso d’água em uma pequena ponte de pedras. Logo a direita está a primeira queda d’água da Cachoeira da Usina, com pausa para fotos e admirar o visual. Segue-se direto pela trilha, passa por uma porteira, ao lado de um poste de rede elétrica vira a direita (fora da trilha) e logo abaixo está a segunda queda d’água, bem maior que a primeira.

Só para esclarecer, neste local existiu a primeira usina hidrelétrica que abasteceu Morro do Ferro por bastante tempo, muito antes da existência da Usina do Rio Jacaré, onde hoje está situada a PCH Oliveira, administrada pela Empresa Lusboa SA. Outro fato curioso sobre o local é que muitas pessoas afirmam que os processos erosivos existentes nas proximidades da cidade foram acelerados após o rompimento natural de uma das quedas d’águas, causando o rebaixamento do leito do ribeirão e consequentemente o aumento da velocidade dos processos erosivos.

Após as cachoeiras, sobe em meio a uma lavoura de café e plantação de eucalipto, passa por três porteiras, desce em uma cava, passa em frente a uma fazenda, após uma subida em curva a direita, à esquerda está a Pedra da Cruz. É um bloco de Gnaisse com uma cruz de concreto no alto. Pausa para fotos e pedal pra frente . . . Passa por uma porteira, desce em uma trilha lotada de pedra, passa no meio de uma mata e do lado de um bloco de rochas com um muro de pedras a direita. Deixei a Bike escondida atrás de umas rochas e cheguei ao topo caminhando na mata em cima de muita pedra.

Do alto tem-se um belo visual do “mar” de morros e montanhas em 360 graus.

O retorno foi feito pelo mesmo caminho até a BR 494, seguindo por esta até o trevo e Auto posto, seguindo até o local de partida por asfalto.

Exceto o percurso que obviamente eu não lembrava, o restante estava lá, tudo da forma que em lembrava, e olha que há mais de vinte anos !!!


O ponto negativo do pedal fica por conta das águas poluídas das duas cachoeiras citadas, por causa do lançamento de esgoto doméstico sem tratamento proveniente de Morro do Ferro. O SAAE-Serviço Autônomo de Água e Esgoto, Autarquia do município de Oliveira/MG, responsável pela concessão dos serviços de água e esgoto faz de conta que o fato não é de sua responsabilidade. Uma ETE-Estação de Tratamento de Esgotos não é só bem vinda, é obrigação legal.

Resumo:

Distância total: 15 Km
Tempo em movimento: 2:00 horas
Tempo Total: 02:50 horas
Velocidade média: 8,0 Km/hora
Velocidade máxima: 36 km/hora

FOTOS



Subida para o Morro da Antena

No alto do Morro da Antena



Morro do Ferro lá embaixo

Vista para Rodovia BR 494

Capela do Morro do Cascalho

Capela com Morro do Ferro ao fundo

Gruta de São João

Cachoeira da 1ª hidrelétrica de Morro do Ferro

Cachoeira da 1ª hidrelétrica de Morro do Ferro

Pedra da Cruz

Na beira da trilha tinha uma rocha . . .

Formação rochosa no topo da serra

Formação rochosa no topo da serra

Muro de pedra sobre pedra

Vista para a Serra do Engenho