"As vezes ouço passar o vento, e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido”
(Fernando Pessoa)

27 de maio de 2011

MOUNTAIN BIKE EM FLORESTAL E REGIÃO


Todos sabemos que a região de Raposos, Rio Acima, Sabará, Nova Lima e Caeté na grande BH é o paraíso para a prática de mountain bike. São estradões e trilhas com os mais diferentes níveis técnicos e de resistência.

Mas como a galera aqui reside em Betim e Contagem, fica fora de mão atravessar toda BH para chegar a estes locais e praticar os já tradicionais pedais de domingo.

Para contornar a situação, os locais escolhidos foram nossas vizinhas Florestal, Mateus Leme e esporadicamente Igarapé. O local de partida quase sempre é o Sítio Mangais do nosso amigo Luizinho em Florestal. O local é um misto de bar, restaurante e pousada. Lá deixamos os veículos motorizados e partimos para o pedal.

Os destinos são os mais variados, buscando percorrer o mínimo possível em asfalto, sempre em estradões de terra com percursos variando de 30 a 50 Km. De início parece pouco, mas a topografia da região é bastante irregular e isto significa muitas subidas.

Em direção ao Povoado de Ribeirão do Ouro há bons percursos com diferentes distâncias, passando, dependendo do percurso, pela Barragem, Valentim, Fazendas Goianas, Marinheiros, Ribeirão do Ouro, Catatau, Granjas Marra e Gameleira.

Em direção ao Distrito de Cachoeira de Almas, pode-se seguir até a BR 262, Restaurante Milhão, retornando a Florestal pela Fazenda Cachoeira. É um percurso relativamente fácil.

Em direção ao distrito de Sítio Novo (município de Mateus Leme) pode-se seguir rumo a Mateus Leme, virar a esquerda sentido a Mineração Matheus Leme, pegar a BR 262 à esquerda, retornando a direita pela região denominada Barreado. Também é um percurso bastante fácil, ideal para iniciantes.

Já o trajeto partindo de Florestal, passando por Sítio Novo, Mateus Leme, Boa Vista com retorno a Florestal com 40 Km é bastante difícil. Possui subidas longas e outras curtas, mas íngremes. É um dos meus percursos preferidos, mas haja pernas . . . Pena que de Boa Vista a Florestal pega-se um trecho de 8 Km em asfalto sem acostamento, por sinal bem perigoso.

A seguir algumas fotos da galera do pedal em alguns locais da região de Florestal e Mateus Leme:



Kenny, Anderson (Bamby) e Eu na cachoeira abaixo da Barragem em Florestal/MG


Kalipha, Anderson e Kenny em Cachoeira de Almas, Florestal/MG


Kalipha e Eu na antiga Estação Ferroviária de Mateus Leme/MG


Barragem em Florestal/MG


Luciano Flório (quase morto) em Mateus Leme/MG


Eu na estrada de acesso a Mineração Matheus Leme em Mateus Leme/MG


Vitor na estrada de acesso a Mineração Matheus Leme, Mateus Leme/MG

24 de maio de 2011

Lobeira versus pneus da Bike


De início fica difícil entender a relação da Lobeira ou Fruta de Lobo com os pneus da Bike, portanto passamos a explicar melhor.

A Lobeira ou Fruta de Lobo é uma planta de porte arbóreo cuja espécie mais comum é a Solanum lycocarpum. Seu tronco, galhos e folhas são repletos de espinhos, ou melhor dizendo, de acúleos (adaptações pontiagudas da casca).

É uma planta bastante comum no cerrado mineiro, espalhada facilmente por animais que alimentam de seus frutos, dentre eles bovinos e o Lobo Guará, daí o nome de Lobeira ou Fruta de Lobo.

Suas folhas secam constantemente e caem no chão, ou melhor na trilha, ficando as estruturas pontiagudas muito resistentes a espera dos pneus da Bike. O resultado é óbvio: pneu furado.

Nos estradões é menos comum acontecer a fatalidade. Mas em trilhas que passam por locais com grande ocorrência da planta, o resultado é certo: pneu furado e lá está o maldito espinho de Lobeira fincado no pneu.

Em Florestal, Mateus Leme e Igarapé, onde costumo pedalar em estradões não é muito comum os furos de pneus causados pela Lobeira. Mas em Morro do Ferro e vizinhanças (Passa Tempo, Jacarandira e São Tiago) a ocorrência da planta é imensa e quando se pedala em trilhas que cortam locais com vegetação nativa (e lá está a Lobeira), os pneus furados são uma constante, e lá está o espinho da Lobeira fincado no pneu.

Não dá para ficar desviando de folhas de Lobeira, uma ou outra até vai. A única solução é levar câmara de ar reserva e Kit Remendo e contar com muita sorte e boa pedalada.

3 de maio de 2011

Juquinha da Serra x Zé Guedes: o embate que por pouco não aconteceu



Autor: Dirceu Thomaz Rabelo


O trem ia feder a chifre queimado se tivesse acontecido. Imagine só! Juquinha da Serra e Zé Guedes se pegando a unha aqui em Dom Joaquim? Mas já vou logo adiantando; não aconteceu por um milagre da cachaça “Mata Saudade”, que costurava muitas paradas mal resolvidas.
Seu Júlio, motorista do ônibus da Viação Santana que fazia a linha Dom Joaquim/BH naquela época, estava passando pela Serra do Cipó com a neblina baixa, frio de doer, indo para a capital mineira e vendo o Juquinha na beira da estrada parou e perguntou pra ele:
- Ô veio! Quer passear em Dom Joaquim amanhã e sair dessa neblina baixa.
- Lá tem pinga da boa? Perguntou Juquinha, sorridente, mostrando sua boca murcha sem um dente sequer.
Seu Júlio respondeu pra ele que, o que não faltava em Dom Joaquim era pinga boa e mulher bonita. Juquinha deu até bicota.
Ficou combinado que Juquinha iria fazer um “tour” em Dom Joaquim no dia seguinte.
Antes de acelerar o velho ônibus, “seu” Júlio ainda recomendou ao Juquinha:
- Não deixa de tomar um banho não! E lava bem essa rola veia!
Juquinha caiu na risada e emendou:
- Cuá! Ta frio dimais da conta!
No dia seguinte, na hora marcada, lá estava Juquinha com sua trouxa de roupas e seu chapeuzinho de palha, igualzinho está lá na estátua dele.
Foi só chegar a Dom Joaquim e “seu” Júlio arrumou um jeito de dar um banho no Juquinha na casa de tio Bentinho Costa, onde ele se hospedava. A inhaca do veio Juquinha empestiou o ônibus.
Banho tomado, almoço na pança, hora de conhecer Dom Joaquim e sua tribo. Primeira parada: venda de Tio Bentinho. Mau lugar para se conhecer, quando o dono era Bentinho Costa.
Papo vai papo vem, chega Zé Guedes fazendo entrega de algumas vassouras de taquaruçu ali na venda. Cumprimenta a todos educadamente como de costume, encosta-se no balcão,
recebe de Tio Bentinho o dinheiro relativo à venda das vassouras e uma boa dose da boa pinga de Nico Mucinha.
Nisso, “seu” Júlio já soprou para o Juquinha que “aquele baixinho da perna mais curta que a outra” que acabara de chegar era um dos homens mais bravos de Dom Joaquim. Ele se referia ao pobre do José Guedes.
Tio Bentinho, pegando a deixa, dedou pra Zé Guedes que aquele forasteiro da boca murcha era o cão da Serra do Cipó. Comia lagartixa como tira gosto de pinga.
O clima já estava armado. Zé Guedes que já tinha tomado uma lá mesmo no Cruzeiro, já arriscou uma fuzilada de olho no tal machão da Serra.
Como o Juquinha estava meio frio pra encarar o terror de Dom Joaquim, “seu” Júlio mandou servir uma “Mata Saudade” para ele, que encheu a bochecha e engoliu de uma só vez, quase um quarto da boa. Aí Tio Bentinho se aproximou e atiçou a fornalha:
- Ô Juquinha! O perigoso lá tá falando que na Serra do Cipó só dá florzinha e veado gaieiro.
Aí o Juquinha se queimou de vez e retrucou alto:
- Viado gaiêro, só se for o butão dele!
Tio Bentinho, “seu” Júlio, Tio Joaquim Violeta, Tio Dedá e todos que presenciaram o “quase embate”, quase que rolaram de tanto rir.
Zé Guedes já sapecado tomou as dores pra ele e riscou o cabo de vassoura no chão e falou
desafiador:
- Aqui em Dom Joaquim, galo de fora não arrasta espora!

E pinga pra lá, pinga pra cá; pequenas ofensas pra lá, pequenas ofensas pra cá... No final, não rolou nada de briga e nem rolaria, porque os atiçadores só queriam ver mesmo um bate boca que afinal aconteceu. Eles se divertiram muito com os dois bêbados, famosos depois de mortos. Um é estátua muito visitada na Serra do Cipó; virou famosa atração turística. Outro dá nome a uma rua importante de Dom Joaquim. Quem diria!

Fonte: Rede Mineira de Cultura

Postado por Dirceu Thomaz Rabelo em 17 janeiro 2011 às 14:30

Disponível em: www.redemineiradecultura.ning.com/profiles/blogs/juquinha-da-serra-x-ze-guedes