"As vezes ouço passar o vento, e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido”
(Fernando Pessoa)

29 de dezembro de 2010

O CAMINHO DE SÃO TIAGO

Olavo Romano

O pai precisava resolver uns negócios na cidade e chamou o filho para ir junto. Fazia muito tempo que Tiãozinho tinha ido a São Tiago a última vez. Estava agora com dez para onze anos, era quase um rapazinho.

Botou arreio novo no rosilho, com peitoral e rabicho, coxinilho e capoteira. Tomou banho geral, vestiu o terno branco, bebeu um café reforçado e, dia amanhecendo, metia o pé na estrada.

Viagem estirada, a bem dizer quatro léguas, oito ida e volta. Coisa pra macho. Por isto ia tão intimado.

Na cidade, chupou picolé e experimentou refresco de groselha. Escutou conversa de homem na farmácia do João Reis, depois deu umas voltas na praça da Matriz. Comeu lombo de porco com lingüiça, tutu de feijão e couve picadinha na pensão do Luís Caputo. Escutou muita música caipira no rádio do Vicente Mendes, enquanto fazia suas compras: um pente “Flamengo”, um espelhinho de bolso com o escudo do Vasco nas costas, um canivete “Corneta”, mais dúzia e meia de bolinha de gude pra encantar as vistas e invejar os irmãos.

Duas e pouco, tudo resolvido, saía de volta, acompanhando no pequira a marcha larga da Princesa, besta baia de estimação do pai.

Era janeiro, dias quentes e grandes. Chegou em casa com céu ainda claro. Trocou de roupa, jantou, foi pro alpendre conversar com os agregados. Manuel Vaqueiro pergunta:

– Comé, Tiãozinho, gostou da viagem?

O menino tinha as pernas raladas, o traseiro doendo daquele estirão de quase oito léguas. Mas trazia a alma cheia de uma novidade muito bonita. Estufou o peito, tomou um ar solene e revelou ao grupo de empregados a sua importante descoberta:

– Olha, gente, quem quiser saber como este mundo é grande, viaje pros lados de São Tiago!

10 de dezembro de 2010

SER FORTE

Ser forte é amar alguém em silêncio.
Ser forte é deixar amar por alguém que não se ama.
Ser forte é fingir alegria quando não se sente.
Ser forte é sorrir quando se deseja chorar.
Ser forte é consolar quando se precisa de consolo.
Ser forte é calar quando o ideal seria gritar a todos sua angústia.
Ser forte é irradiar felicidade quando se é infeliz.
Ser forte é esperar quando não se acredita no retorno.
Ser forte é manter-se calmo no desespero.
Ser forte é elogiar quando se tem vontade de maldizer.
Ser forte é fazer é fazer alguém feliz quando se tem o coração em pedaços.
Ser forte é ter fé naquilo que não se acredita.
Ser forte é perdoar alguém que não merece perdão.
Ser forte é por mais difícil que seja a vida, “ame-a”, seja forte!

8 de dezembro de 2010

Tornado em Minas Gerais

Tornado pode ter sido o primeiro a ser registrado em MG, diz especialista

O meteorologista Cléber Souza, do 5º Distrito do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em Belo Horizonte, disse nesta segunda-feira (6), que o fenômeno visto em Uberlândia neste domingo (5) pode ser o primeiro registro de um tornado em Minas Gerais. Moradores do Triângulo Mineiro gravaram imagens de tornados de fraca intensidade neste domingo (5). O especialista explicou, nesta segunda-feira (6), a diferença entre redemoinho de vento e tornado.

O fenômeno registrado em Uberlândia foi considerado um tornado de categoria 1, segundo o especialista, por sua duração, que foi de cerca de 20 minutos, e pelos estragos causados. “O tornado é a forma mais destruidora da natureza, dependendo da intensidade, que pode checar à categoria 5, e da duração. No Brasil, os tornados são mais comuns no Sul. Esses devem ser os primeiros tornados de que se tem registro em Minas Gerais”, completou.

De acordo com o meteorologista, até este domingo (5), ele não tinha conhecimento da ocorrência desse fenômeno em Minas. “Nunca tinha sido filmado em Minas, essa foi a primeira vez que foi televisionado”.

Já o redemoinho de vento, segundo o meteorologista, é um fenômeno de pouca altura e intensidade, visto em superfícies secas. “Redemoinhos são pequenos, não altos. E acontecem no solo. A gente vê pela rua e não causa estragos significativos”, explicou Souza.

Uberlândia – Com um celular, um morador flagrou um deles na região sul da cidade. Uma coluna se formou do chão até o céu. O funil parecia ter se formado entre as nuvens.

Segundo a Defesa Civil, o vento, que chegou a 60 km/h, destelhou casas e destruiu parte da fachada de algumas lojas do centro. Quinze árvores foram derrubadas e uma delas atingiu um carro. Ruas e avenidas ficaram interditadas durante a chuva.

Outro morador da cidade filmou os tornados. De acordo com ele, o fenômeno natural teria durado cerca de 20 minutos.

(Fonte: G1)