"As vezes ouço passar o vento, e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido”
(Fernando Pessoa)

29 de dezembro de 2010

O CAMINHO DE SÃO TIAGO

Olavo Romano

O pai precisava resolver uns negócios na cidade e chamou o filho para ir junto. Fazia muito tempo que Tiãozinho tinha ido a São Tiago a última vez. Estava agora com dez para onze anos, era quase um rapazinho.

Botou arreio novo no rosilho, com peitoral e rabicho, coxinilho e capoteira. Tomou banho geral, vestiu o terno branco, bebeu um café reforçado e, dia amanhecendo, metia o pé na estrada.

Viagem estirada, a bem dizer quatro léguas, oito ida e volta. Coisa pra macho. Por isto ia tão intimado.

Na cidade, chupou picolé e experimentou refresco de groselha. Escutou conversa de homem na farmácia do João Reis, depois deu umas voltas na praça da Matriz. Comeu lombo de porco com lingüiça, tutu de feijão e couve picadinha na pensão do Luís Caputo. Escutou muita música caipira no rádio do Vicente Mendes, enquanto fazia suas compras: um pente “Flamengo”, um espelhinho de bolso com o escudo do Vasco nas costas, um canivete “Corneta”, mais dúzia e meia de bolinha de gude pra encantar as vistas e invejar os irmãos.

Duas e pouco, tudo resolvido, saía de volta, acompanhando no pequira a marcha larga da Princesa, besta baia de estimação do pai.

Era janeiro, dias quentes e grandes. Chegou em casa com céu ainda claro. Trocou de roupa, jantou, foi pro alpendre conversar com os agregados. Manuel Vaqueiro pergunta:

– Comé, Tiãozinho, gostou da viagem?

O menino tinha as pernas raladas, o traseiro doendo daquele estirão de quase oito léguas. Mas trazia a alma cheia de uma novidade muito bonita. Estufou o peito, tomou um ar solene e revelou ao grupo de empregados a sua importante descoberta:

– Olha, gente, quem quiser saber como este mundo é grande, viaje pros lados de São Tiago!

10 de dezembro de 2010

SER FORTE

Ser forte é amar alguém em silêncio.
Ser forte é deixar amar por alguém que não se ama.
Ser forte é fingir alegria quando não se sente.
Ser forte é sorrir quando se deseja chorar.
Ser forte é consolar quando se precisa de consolo.
Ser forte é calar quando o ideal seria gritar a todos sua angústia.
Ser forte é irradiar felicidade quando se é infeliz.
Ser forte é esperar quando não se acredita no retorno.
Ser forte é manter-se calmo no desespero.
Ser forte é elogiar quando se tem vontade de maldizer.
Ser forte é fazer é fazer alguém feliz quando se tem o coração em pedaços.
Ser forte é ter fé naquilo que não se acredita.
Ser forte é perdoar alguém que não merece perdão.
Ser forte é por mais difícil que seja a vida, “ame-a”, seja forte!

8 de dezembro de 2010

Tornado em Minas Gerais

Tornado pode ter sido o primeiro a ser registrado em MG, diz especialista

O meteorologista Cléber Souza, do 5º Distrito do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em Belo Horizonte, disse nesta segunda-feira (6), que o fenômeno visto em Uberlândia neste domingo (5) pode ser o primeiro registro de um tornado em Minas Gerais. Moradores do Triângulo Mineiro gravaram imagens de tornados de fraca intensidade neste domingo (5). O especialista explicou, nesta segunda-feira (6), a diferença entre redemoinho de vento e tornado.

O fenômeno registrado em Uberlândia foi considerado um tornado de categoria 1, segundo o especialista, por sua duração, que foi de cerca de 20 minutos, e pelos estragos causados. “O tornado é a forma mais destruidora da natureza, dependendo da intensidade, que pode checar à categoria 5, e da duração. No Brasil, os tornados são mais comuns no Sul. Esses devem ser os primeiros tornados de que se tem registro em Minas Gerais”, completou.

De acordo com o meteorologista, até este domingo (5), ele não tinha conhecimento da ocorrência desse fenômeno em Minas. “Nunca tinha sido filmado em Minas, essa foi a primeira vez que foi televisionado”.

Já o redemoinho de vento, segundo o meteorologista, é um fenômeno de pouca altura e intensidade, visto em superfícies secas. “Redemoinhos são pequenos, não altos. E acontecem no solo. A gente vê pela rua e não causa estragos significativos”, explicou Souza.

Uberlândia – Com um celular, um morador flagrou um deles na região sul da cidade. Uma coluna se formou do chão até o céu. O funil parecia ter se formado entre as nuvens.

Segundo a Defesa Civil, o vento, que chegou a 60 km/h, destelhou casas e destruiu parte da fachada de algumas lojas do centro. Quinze árvores foram derrubadas e uma delas atingiu um carro. Ruas e avenidas ficaram interditadas durante a chuva.

Outro morador da cidade filmou os tornados. De acordo com ele, o fenômeno natural teria durado cerca de 20 minutos.

(Fonte: G1)

24 de novembro de 2010

De Bike na Pedra Equilibrista

De Bike na Pedra Equilibrista em Morro do Ferro/MG

Manejo da Caatinga é alternativa para produzir lenha e carvão

A lenha e carvão são os principais produtos oriundos da Caatinga, mas a obtenção dessas fontes energéticas está longe de ser sustentável. O desmatamento origina em torno de 80% desses produtos florestais no Nordeste.

Ter lenha e carvão sem impactar a vegetação é possível com o manejo florestal, tema do livro “Uso sustentável e conservação dos recursos florestais da Caatinga”, que o Serviço Florestal Brasileiro lançou nesta terça-feira (23), em Recife (PE).

A publicação de 367 páginas traz artigos de 28 pesquisadores que mostram a potencialidade de aplicação do manejo para a produção energética, os resultados do uso dessas técnicas sobre a biodiversidade e a possibilidade de conciliar o uso econômico do bioma com a sua conservação.

Existem técnicas sustentáveis de exploração desse recurso florestal que são viáveis tecnicamente, fáceis de serem aplicadas no campo e que já estão normatizadas pelos órgãos ambientais competentes , afirma a engenheira florestal da Unidade Regional Nordeste do Serviço Florestal, Maria Auxiliadora Gariglio, uma das organizadoras do livro.

Baixa participação – As vantagens do manejo, só 6% da matéria-prima para a produção de lenha e carvão vem dessa fonte, um valor ainda baixo para uma região que tem uma alta participação da biomassa – em torno de 30% – na matriz energética.

Segundo o diretor-geral do Serviço Florestal, Antônio Carlos Hummel, a grande presença dos produtos florestais como fonte de energia na região torna fundamental a existência de políticas públicas concretas para o uso dos recursos do bioma.

“O livro dá indicativos reais das possibilidades do manejo, mas é preciso medidas fortes de comando e controle para impedir a competição da lenha manejada com aquela que não é e que é muito forte na região”, afirma Hummel.

De acordo com Maria Auxiliadora Gariglio, o manejo das florestas da Caatinga, se adotado em escala regional poderia contribuir inclusive “para as questões do desmatamento evitado (REDD), para a conservação da biodiversidade de um bioma raro e exclusivamente brasileiro e para a manutenção do homem no campo”.

A adoção de técnicas de uso racional da vegetação é mais urgente principalmente nas cercanias de grandes centros industriais, como a Chapada do Araripe que tem o maior pólo gesseiro da América Latina e os diversos pólos cerâmicos como Açu e Seridó (RN), Russas (CE), Cariri Paraibano (PB). “A divulgação e a prática do manejo deveria ser intensificada nesses lugares, já que essas regiões estão mais pressionadas pelo consumo”, diz Maria Auxiliadora.

Biodiversidade – A pesquisadora tem a expectativa de que a difusão de informações sobre o manejo com base científica dê mais subsídios para que a técnica seja ampliada e dirima as dúvidas sobre a viabilidade e a influência ambiental da sua aplicação.

“Os resultados desses estudos mostram que o manejo como um sistema fechado tem um impacto praticamente nulo na biodiversidade e na conservação dos solos e que o impacto observado imediatamente após o corte é minimizado ao longo dos anos”, completa.

O estudo dos grupos de fauna mostra inclusive que a biodiversidade encontrada na área do plano de manejo é bastante parecida com aquela de algumas Unidades de Conservação situadas em regiões próximas.

Os organizadores da publicação, que inclui outros três pesquisadores, esperam que os caminhos apontados no livro para pesquisa, extensão e políticas públicas sejam trilhados pelos diferentes atores ligados ao manejo. “Só assim os recursos florestais poderão continuar contribuindo, em todo o seu potencial, com o desenvolvimento econômico e social da região Nordeste”, diz a obra.

Fonte: Ministério do Meio Ambiente

7 de novembro de 2010

O HOMEM QUE CULTIVAVA ÁGUA


     Brad Lancaster, viajando pelo sul da África no verão de 1995, ouviu falar de um homem que cultivava a Água. No lugarejo de Zvishavane, no Sul do Zimbabwe, após uma longa e lenta viagem de ônibus, ela encontrou Sr. Zephania Phiri Maseko, o cultivador de água.
     Um homem simples, alegre, que contou-lhe a sua história: por se opor ao governo branco em 1964, Sr. Phiri - como ficou conhecido - foi demitido e ameaçado: "Jamais terás emprego algum novamente". Ele, com uma família de 8 para sustentar, voltou-se então para sua propriedade de 3 hectares. Ali, contudo, não dispunha de água. Observando com atenção a Natureza ao seu redor e o ciclo das águas, ao longo de 30 anos Phiri criou um sistema sustentável que preenche todas as suas necessidades em água, só com a chuva.
     “Tem que começar a captação no alto, e sarar as voçorocas jovens antes das velhas e profundas rio abaixo,” diz. Com um engenhoso conjunto de muros de pedra, ele consegue 'amansar' o ritmo das águas das chuvas, colina abaixo, criando espaços de contenção, por onde elas fluem lentamente.
     Desta forma, a água chega em reservatórios permeáveis, construídos à mão por Phiri e suas duas esposas. “O solo,” explica, “é como uma lata. A lata precisa segurar toda a água. Vossorocas e erosão são como buracos na lata que permitem que a água e a matéria orgânica escapem. Estes precisam ser tapados.”
Brad esclarece que o governo colocou valas de escoamento na região toda muitos anos atrás, mas feitas fora das linhas de contorno. Suas lâminas visavam acabar com a erosão, levando a água das tempestades para um dreno central. O problema de erosão resolveu-se, mas as terras acabaram sendo roubadas da sua água.
     Ao contrário, Sr. Phiri cavou grandes “covas de fruição” de 10x6x4 pés no fundo de todas as suas valas. Quando chove, a água enche a primeira cova e o excedente enche o seguinte, continuando assim até os limites da propriedade. Muito depois do fim da chuva, a água continua nas covas, infiltrando no solo.
     Em volta das covas capins grosseiros são cultivados para controle de erosão, para cobertura das casas, e venda. Muitas árvores frutíferas vigorosas foram plantadas por Sr. Phiri ao longo dessas valas para fornecer alimentos, sombra, e quebra-ventos. São alimentadas estritamente pelas chuvas e o lençol freático, que vai se aproximando da superfície.
     Como, Phiri explica: “Cavo valas e covas de fruição para 'plantar' a água para que possa germinar em outro lugar. Ensinei o meu sistema às árvores”. Continua: “Elas o entendem e à minha linguagem. Coloco-as aqui e digo ‘Olha, a água está aqui. Vão à procura.” Nenhuma bacia nem divisória para segurar ou negar a água é colocada em volta delas; as raízes são encorajadas a se esticar e encontrar a água.
     Uma mistura diversa de culturas não híbridas como abóbora, milho, pimenta, beringela, taboa para cestas, tomate, alface, espinafre, ervilha, alho, feijão, maracujá, manga, goiaba, e mamão, juntamente com árvores nativas como matobve, muchakata, munyii, e mutamba são plantadas entre as valas.
     Esta diversidade garante a saúde de todo o ambiente e traz segurança para a família, que se sente cuidando de seu próprio Jardim do Éden, como descreve a Bíblia no texto que inspirou toda a ação de Phiri.
     Mais um exemplo de que com atenção e observação é possível entrar em harmonia com a Natureza e ter uma boa vida que 'lutar contra ela' não garante.

Quem quiser pode ler a íntegra do relato aqui


29 de outubro de 2010

A CANETA E A ENXADA

(Zico e Zeca)
“Certa vez uma caneta foi passear lá no sertão
Encontrou-se com uma enxada, fazendo a plantação.
A enxada muito humilde, foi lhe fazer saudação,
Mas a caneta soberba não quis pegar sua mão.
E ainda por desaforo lhe passou uma repreensão.
Disse a caneta pra enxada não vem perto de mim, não
Você está suja de terra, de terra suja do chão
Sabe com quem está falando, veja sua posição
E não se esqueça à distância da nossa separação.
Eu sou a caneta soberba que escreve nos tabelião
Eu escrevo pros governos as leis da constituição
Escrevi em papel de linho, pros ricaços e barão
Só ando na mão dos mestres, dos homens de posição.

A enxada respondeu: que bateu vivo no chão,
Pra poder dar o que comer e vestir o seu patrão
Eu vim no mundo primeiro quase no tempo de adão
Se não fosse o meu sustento não tinha instrução.
Vai-te caneta orgulhosa, vergonha da geração
A tua alta nobreza não passa de pretensão
Você diz que escreve tudo, tem uma coisa que não
É a palavra bonita que se chama.... educação!"

23 de outubro de 2010

A CULTURA DO CARIMBO

Por: Antônio Carlos de Lima e Sara de Lima Saeghe*


Acostumados à cultura da autenticação de documentos, a maioria da população desconhece que no dia 11/01/2003, entrou em vigor o novo Código Civil Brasileiro, que dispõe em seu Artigo 225: “As reproduções fotográficas, cinematográficas, os registros fonográficos e, em geral, quaisquer outras reproduções mecânicas ou eletrônicas de fatos ou de coisas fazem prova plena destes, se a parte, contra quem forem exibidos, não lhes impugnar a exatidão”. Ou seja, foi decretada o fim da autenticação documental.

Sábio legislador, pois se deslocar para um Cartório, entrar numa fila para receber um carimbo com os dizeres: “Confere com o original”, era muita burocracia. Não restou dúvida aos parlamentares, o princípio da boa-fé deve sempre ser levado em conta, até prova em contrário.

Portanto, foi dito adeus aos carimbos.


Mas, será que hoje esta norma está sendo cumprida? Lógico que não. Sabe quem é o principal descumpridor: o Estado. Senão vejamos, ao peticionar em Juízo o autor deve juntar toda documentação em sua peça inicial. Tente fazer isto sem as fotocópias estarem autenticadas, simplesmente a Justiça não aceita. Vá a alguma repartição pública e tente confeccionar um procedimento administrativo sem juntar fotocópia carimbada por algum cartório, a resposta será não.


Neste diapasão, o consumidor vai pensar que a lei não é respeitada em nosso País, mesmo diante de uma Constituição Cidadã, que nos impõe um estado de direito? Verdade, prevalece a insensatez e o descaso, pois o próprio Estado editou norma que cuida, inclusive, do preço da autenticação de uma cópia ou fotocópia: R$ 3,00 (três reais), conforme a Lei Estadual n. 14.376 (Tabela XIII, item 71, I) de 27/12/2002.
 
Para quem interessa cobrar por autenticação de cópias? Quem lucra com isso? Somente os Cartórios. E o cidadão comum, tem que obedecer determinação judicial e desembolsar valores exorbitantes para “autenticar” documentos que seu advogado pode confirmar a autenticidade, conforme o disposto no art. 544, § 1º do Código de Processo Civil.
 
Caso concreto: uma cidadã que percebe mensalmente R$ 500,00 intentou ação para revisão de cláusula de contrato de financiamento, teve que desembolsar R$ 200,00 à vista (para pagar autenticação de cópias), porque Cartório não admite pagamento a prazo. Então, uma pessoa que percebe mensalmente um salário mínimo e necessita da tutela jurisdicional ou de confeccionar um procedimento administrativo deve se privar de comprar alimentos e pagar autenticação de documentos, em face da burocracia instituída em nosso Estado.


O Art. 225 do Código Civil é claro, quando diz que as reproduções mecânicas ou eletrônicas fazem prova plena contra quem foram exibidos, se estes não lhes impugnarem a exatidão. O artigo supra demonstra claramente a preocupação do legislador ordinário em desconstituir a fábrica de autenticação de documentos. Ora, se a Lei é específica e diz que a pessoa contra quem foi exibido a documentação é quem pode impugnar-lhe a exatidão, o poder judiciário agindo “ex officio”, utilizando seu poder instrutório e a administração pública estão avocando para si um direito que não detém. Estão exercendo direito de terceiro em nome próprio, criando na vida cotidiana um instituto de substituição sui generis que até o momento, serviu apenas para prejudicar o acesso à justiça.


O Procon do Estado de Goiás, como órgão de defesa do cidadão observa ipsi literis o Código Civil, admitindo em seu procedimento administrativo a juntada de documentação sem autenticação, pois no mundo hodierno em que vivemos, não há tempo para procrastinações.


Também pode haver nos documentos, a autenticidade firmada pelo advogado, que é reconhecida como legítima pelo STJ. Apesar disso, prevalece o entendimento de que se a parte contrária questionar, a autenticação será levada a efeito, caso contrário, não há embasamento jurídico para esta imposição.


O Superior Tribunal de Justiça tem decidido no sentido de reconhecer a presunção de veracidade dos documentos apresentados por cópia, se na oportunidade de resposta a parte contrária não questiona sua autenticidade. Esta posição já vinha sendo adotada desde agosto de 2000 e foi ratificada pelo Tribunal em junho/2003. Atualmente mantém o entendimento de que é desnecessária a autenticação dos documentos juntados com a inicial ou nos Agravo de Instrumento, pois prevalece a presunção juris tantum de veracidade.


Diante deste contexto, indaga-se: Porque nossas Instituições têm dificuldade de cumprir as Leis ou de flagrantemente descumprí-las? Desconhecimento da legislação vigente, da realidade financeira do País ou descaso com a população. Entendemos que tudo isso traz sua contribuição, mas o fator cultural é que predomina para não avançarmos nesta questão. A educação pode contribuir decisivamente para extirparmos esta cultura negativa.


*Antônio Carlos de Lima é Superintendente do Procon/GO e Sara de Lima Saeghe é Advogada do Procon/GO.

16 de outubro de 2010

Oliveira - MG

Praça XV de Novembro: Casa da Cultura à esquerda e Igreja Matriz
Cidade mineira localizado no Centro Oeste na região denominada Campos das Vertentes a 165 quilômetros da Capital Belo Horizonte. Sua origem remota ao século XVI, sendo ponto de parada de viajantes portugueses que seguiam rumo à Goiás.

Quanto a origem do nome Oliveira, há duas versões. A primeira é que foram encontradas na região algumas árvores de Oliveiras. A segunda versão é que na época do trânsito de tropeiros e desbravadores, morava em uma casa onde hoje situa-se a cidade de Oliveira, uma senhora de origem portuguesa cujo nome era Dona Maria de Oliveira.

No início do Século XX, a cidade ficou conhecida mundialmente por ser a terra natal do cientista Carlos Chagas que foi o descobridor do agente causador da “Doença de Chagas”.

Possui população aproximada de 40.000 habitantes. Além da sede, há distrito de Morro do Ferro, com aproximadamente 1500 habitantes, estando distante 35 quilômetros da sede do município.

Como pontos turísticos, destacam-se: Coqueiro Abraçado, Igreja Matriz (Igreja Velha), Catedral de Nossa Senhora de Oliveira (Igreja Nova), Cristo Redentor, Casa de Cultura Carlos Chagas, Casarões Coloniais, dentre outros. Nos arredores há várias opções de turismo rural, ecoturismo e turismo de aventura. A cidade conta com uma razoável rede hoteleira.

O município orgulha-se de possuir um dos jornais mais antigos do Brasil ainda em circulação: O Gazeta de Minas.

Oliveira - MG

Cristo Redentor e por do sol

14 de outubro de 2010

Oração do Ciclista

Iniciando uma série de Post's sobre Mountain Bike, Ciclismo, Pedal, etc, nada mais conveniente do que começar com a Oração do Ciclista:

Oração do Ciclista

Senhor Deus Vós que permitistes a beatificação de São Cristóvão, protetor dos motoristas, dai-nos também, um anjo protetor, que nos ajude a pedalar em paz e segurança nas ciclovias, nos parques, nas trilhas e principalmente nas ruas e estradas.

Livrai-nos dos maus motoristas, dos pedestres desatentos, dos ladrões e dos irmãos afoitos, que pela ausência de campanha educativa, desrespeitam as leis e o Código Nacional de Trânsito.Fazei com que os cães, melhor amigo dos homens e das crianças, não nos persigam e não ponham em risco a nossa vida.

Lembrai-nos que pedalando ganhamos tempo, economizamos combustível, não poluímos o ambiente e promovemos o desenvolvimento físico, e que a bicicleta é um instrumento de trabalho e ganha pão dos mais humildes.

Despertai nas autoridades a importância da segurança do ciclista, pois ele é também filho do senhor.

Não nos deixei cair em tentação de trocar a bicicleta por automóvel e quando isso acontecer, fazei-nos respeitar a bicicleta e o ciclista.

Amém.

13 de outubro de 2010

POSTE DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA 100% ALIMENTADO POR ENERGIA EÓLICA E SOLAR


Por GEVAN OLIVEIRA
 
Empresário cearense desenvolve o primeiro poste de iluminação pública 100% alimentado por energia eólica e solar

Não tem mais volta

As tecnologias limpas – aquelas que não queimam combustível fóssil – serão o futuro do planeta quando o assunto for geração de energia elétrica. E, nessa onda, a produção eólica e solar sai na frente, representando importantes fatias na matriz energética de vários países europeus, como Espanha, Alemanha e Portugal, além dos Estados Unidos. Também está na dianteira quem conseguiu vislumbrar essa realidade, quando havia apenas teorias, e preparou-se para produzir energia sem agredir o meio ambiente. No Ceará, um dos locais no mundo com maior potencial energético (limpo), um ‘cabeça chata’ pretende mostrar que o estado, além de abençoado pela natureza, é capaz de desenvolver tecnologia de ponta.

POSTE DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA 100% ALIMENTADO POR ENERGIA EÓLICA E SOLAR

O professor Pardal cearense é o engenheiro mecânico Fernandes Ximenes, proprietário da Gram-Eollic, empresa que lançou no mercado o primeiro poste de iluminação pública 100% alimentado por energias eólica e solar. Com modelos de 12 e 18 metros de altura (feitos em aço), o que mais chama a atenção no invento, tecnicamente denominado de Produtor Independente de Energia (PIE), é a presença de um avião no topo do poste.

Feito em fibra de carbono e alumínio especial – mesmo material usado em aeronaves comerciais –, a peça tem três metros de comprimento e, na realidade, é a peça-chave do poste híbrido. Ximenes diz que o formato de avião não foi escolhido por acaso. A escolha se deve à sua aerodinâmica, que facilita a captura de raios solares e de vento. "Além disso, em forma de avião, o poste fica mais seguro. São duas fontes de energia alimentando-se ao mesmo tempo, podendo ser instalado em qualquer região e localidade do Brasil e do mundo", esclarece.

Tecnicamente, as asas do avião abrigam células solares que captam raios ultravioletas e infravermelhos por meio do silício (elemento químico que é o principal componente do vidro, cimento, cerâmica, da maioria dos componentes semicondutores e dos silicones), transformando-os em energia elétrica (até 400 watts), que é armazenada em uma bateria afixada alguns metros abaixo. Cumprindo a mesma tarefa de gerar energia, estão as hélices do avião. Assim como as naceles (pás) dos grandes cata-ventos espalhados pelo litoral cearense, a energia (até 1.000 watts) é gerada a partir do giro dessas pás.

Cada poste é capaz de abastecer outros três ao mesmo o tempo. Ou seja, um poste com um "avião" – na verdade um gerador – é capaz de produzir energia para outros dois sem gerador e com seis lâmpadas LEDs (mais eficientes e mais ecológicas, uma vez que não utilizam mercúrio, como as fluorescentes compactas) de 50.000 horas de vida útil dia e noite (cerca de 50 vezes mais que as lâmpadas em operação atualmente; quanto à luminosidade, as LEDs são oito vezes mais potentes que as convencionais). A captação (da luz e do vento) pelo avião é feita em um eixo com giro de 360 graus, de acordo com a direção do vento.

À prova de apagão

Por meio dessas duas fontes, funcionando paralelamente, o poste tem autonomia de até sete dias, ou seja, é à prova de apagão. Ximenes brinca dizendo que sua tecnologia é mais resistente que o homem: "As baterias do poste híbrido têm autonomia para 70 horas, ou seja, se faltarem vento e sol 70 horas, ou sete noites seguidas, as lâmpadas continuarão ligadas, enquanto a humanidade seria extinta porque não se consegue viver sete dias sem a luz solar".

POSTE DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA 100% ALIMENTADO POR ENERGIA EÓLICA E SOLAR

 

O inventor explica que a idéia nasceu em 2001, durante o apagão. Naquela época, suas pesquisas mostraram que era possível oferecer alternativas ao caos energético. Ele conta que a caminhada foi difícil, em função da falta de incentivo – o trabalho foi desenvolvido com recursos próprios. Além disso, teve que superar o pessimismo de quem não acreditava que fosse possível desenvolver o invento. "Algumas pessoas acham que só copiamos e adaptamos descobertas de outros. Nossa tecnologia, no entanto, prova que esse pensamento está errado. Somos, sim, capazes de planejar, executar e levar ao mercado um produto feito 100% no Ceará. Precisamos, na verdade, é de pessoas que acreditem em nosso potencial", diz.

Mas esse não parece ser um problema para o inventor. Ele até arranjou um padrinho forte, que apostou na idéia: o governo do estado. O projeto, gestado durante sete anos, pode ser visto no Palácio Iracema, onde passa por testes. De acordo com Ximenes, nos próximos meses deve haver um entendimento entre as partes. Sua intenção é colocar a descoberta em praças, avenidas e rodovias.

O empresário garante que só há benefícios econômicos para o (possível) investidor. Mesmo não divulgando o valor necessário à instalação do equipamento, Ximenes afirma que a economia é de cerca de R$ 21.000 por quilômetro/mês, considerando-se a fatura cheia da energia elétrica. Além disso, o custo de instalação de cada poste é cerca de 10% menor que o convencional, isso porque economiza transmissão, subestação e cabeamento. A alternativa teria, também, um forte impacto no consumo da iluminação pública, que atualmente representa 7% da energia no estado. "Com os novos postes, esse consumo passaria para próximo de 3%", garante, ressaltando que, além das vantagens econômicas, existe ainda o apelo ambiental. "Uma vez que não haverá contaminação do solo, nem refugo de materiais radioativos, não há impacto ambiental", finaliza Fernandes Ximenes.


Material enviado pelo Biólogo Carlos Wagner

7 de outubro de 2010

Serra dos Alves


Capela de Serra dos Alves

Casa de Pau a Pique

Localizada próxima ao Morro do Bicudo ou da Mutuca

Morro do Bicudo ou da Mutuca

Localizado na divisa dos municípios de Itabira e Nova União

Cachoeira do Patrocínio Amaro

Localizada acima da Cachoeira Alta

Cachoeira do Meio

Situada entre a Cachoeira Alta e a Cachoeira Patrocínio Amaro 

QUEM FAZ A HISTÓRIA

Quem construiu a Tebas das sete portas?

Nos livros constam os nomes dos reis.
Os reis arrastaram os blocos de pedra?
E a Babilônia tantas vezes destruída
Quem ergueu outras tantas?
Em que casas da Lima radiante de ouro
Moravam os construtores?
Para onde foram os pedreiros
Na noite em que ficou pronta a Muralha da China?
A grande Roma está cheia de arcos do triunfo.
Quem os levantou?
Sobre quem triunfaram os Césares?
A decantada Bizâncio só tinha palácios

Para seus habitantes?
Mesmo na legendária Atlântida,
Na noite em que o mar a engoliu,
Os que se afogavam gritaram por seus escravos.
O jovem Alexandre consquistou a Índia.
Ele sozinho?
César bateu os gauleses,
Não tinha pelo menos um cozinheiro consigo?
Felipe de Espanha chorou quando sua armada naufragou.
Ninguém mais chorou?
Fredrico II venceu a Guerra dos Sete Anos.
Quem venceu além dele?
Uma vitória a cada página.
Quem cozinhava os banquetes da vitória?
Um grande homem a cada dez anos.
Quem pagava as despesas?
Tantos relatos.
Tantas perguntas.

O ANALFABETO POLÍTICO

O pior analfabeto

é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala,
nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida,
o preço do feijão, do peixe, da farinha,
do aluguel, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.
O analfabeto político
é tão burro que se orgulha
e estufa o peito dizendo
que odeia a política.
Não sabe o imbecil que,
da sua ignorância política
nasce a prostituta, o menor abandonado,
e o pior de todos os bandidos,
que é o político vigarista,
pilantra, corrupto e lacaio
das empresas nacionais e multinacionais.

25 de setembro de 2010

RETRATO

"Cecília Meireles"

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida a minha face?

O CASO DO TOSTÃO DE CHUVA

Texto de: Leopoldo Costa *


 
Lá para os lados do Tombadouro, povoado na divisa de Passa Tempo com Morro do Ferro, a seca daquele ano estava insuportável. O gado já estava morrendo de sede e por falta de comida, pois o que restava nos pastos, era apenas a maçaroca de capim gordura ressecado, que machucava a boca dos animais. A maioria destes animais tão resistentes estava que só pele e osso. Muitos bezerros e vacas mojando, tinham morrido, e apodreciam nos pastos, chamando a atenção dos urubus que voavam em bando até localizarem as carcaças, que eram por eles disputadas com os famintos cachorros da redondeza.
 
Se morresse uma vaca mais gorda, perto do curral da fazenda, as mulheres se davam ao trabalho de descarnar a carcaça e o sebo era usado para fazer o sabão preto. O resto era abandonado.

Promessas e penitências eram feitas, com as mulheres, as crianças e alguns homens, carregando velas acesas em longas procissões e levando água benta para regar o pé do cruzeiro, pedindo a Deus para que mandasse a chuva tão necessária. Os córregos estavam ficando sem água e era difícil achar algum moinho de pedra funcionando para moer fubá ou descascar arroz.
 
Desde fevereiro que não caia um pingo d'água. Chegou setembro e nada da chuva aparecer.
 
Nas redondezas, morava também um rico fazendeiro ranzinza, que não freqüentava a capela e nem acreditava em Deus. No início, ficava zombando das ladainhas e das procissões, que passavam na estrada poeirenta perto do seu curral, rumo ao cruzeiro. Possuía muitas cabeças de gado e com aquela seca, cada dia morria meia dúzia delas. Sentia na algibeira o efeito da agrura da natureza, dizimando parte da sua riqueza.

Na mesma época, morreu um pequeno proprietário, que era seu compadre, vizinho da sua fazenda. Era uma pessoa religiosa que ajudava a puxar as ladainhas nos dias de novena. No velório todos os habitantes do povoado compareceram, lamentando o acontecimento.

Os homens ficavam na varanda perto da sala onde estava o defunto. O caixão ficava aberto e coberto com um véu branco, apoiado em dois cavaletes. Era todo roxo emoldurado com grossas fitas douradas. De cada lado podia ser observado duas jarras com meia dúzia de lírios brancos e uma grande vela de cera, acomodadas num bonito castiçal. Os homens bebiam café com biscoito, pitavam os seus cigarrinhos de palha, e contavam seus casos. De vez em quando, na sala, uma comadre puxava um terço e chamava todos para acompanharem. A seca era o assunto que mais se falava, os mais velhos diziam que nunca tinham visto alguma daquele jeito.
 
O rico fazendeiro, também estava lá e apesar de estar tendo muito prejuízo, ainda continuava a zombar dos outros, que achavam que Deus poderia dar um jeito. Na hora do terço só ficava espiando.

Chegou a hora do enterro. Quando iam fechar o caixão, em tom de deboche, o rico fazendeiro tirou da sua algibeira uma moeda novinha de um tostão, colocou debaixo das mãos frias do morto que estavam entrelaçadas no peito e disse com a voz bem alta para que todos ouvissem: "Chegando lá no Céu compadre, peça ao seu São Pedro para mandar p´ra mim um tostão de chuva".

Fecharam o caixão, a viúva e as filhas choraram mais ainda. O caixão foi cuidadosamente colocado num carro de boi que já esperava na porta, forrado com um tapete. O enterro saiu devagar, sendo acompanhado por todos, uns a cavalo e outros a pé, até o arraial de Passa Tempo. O tropel dos cavalos levantava muita poeira na estrada.
 
Antes de chegar no arraial, perto do córrego, o caixão foi retirado do carro de boi e carregado por quatro amigos do falecido. O cortejo subiu pela rua íngreme, e era observado por curiosos, que colocavam as caras nas janelas e faziam o sinal da cruz. Os homens na rua tiravam os chapéus quando o féretro passava por eles. Subiu por uma esquina e passou defronte ao armazém que imediatamente abaixou as suas portas, em sinal de respeito.

Finalmente chegou na igreja de Nossa Senhora da Glória, que já badalava o seu sino no toque apropriado para anunciar enterros. Foi recomendado pelo padre, que aspergiu água benta na face pálida do defunto, incensou-o, rezou o Requiescat in Pacem e o caixão seguiu para o cemitério para ser sepultado. Durante o sepultamento, alguns jogaram punhados de terra na cova, as mulheres arremessaram os lírios brancos que trouxeram da sala do velório. Cientes de terem cumprido o seu dever, voltaram para o povoado, todos em comitiva.
 
Mais tarde, quase ao cair da noite, o tempo começou a mudar bruscamente. Escureceu de uma hora para outra e parecia que as nuvens pretas encostavam-se ao cume dos morros. Era trovão e raio para todo lado. As montanhas faziam com que os trovões ecoassem várias vezes e ficassem mais sinistros. As mulheres mais piedosas começaram a queimar as folhas bentas e secas das palmas que tinham guardado da procissão do Domingo de Ramos, ajoelhadas defronte ao oratório de Santa Bárbara e São Jerônimo, rogando por proteção. Todos sentiam frágeis com aquela situação.
 
Veio aquela chuvarada que fez transbordar imediatamente os córregos e alagou vários currais. Arvores foram arrancadas pela força do vento que uivava feito uma onça no cio. Até o barracão do curral do rico fazendeiro foi destelhado e também uma parede, que era de adobe, foi arrebentada. Gravetos, muitas folhas secas e tocos de arvores eram levados pela enxurrada que descia das ladeiras.
 
Veio claramente na lembrança de todos o que o rico fazendeiro tinha falado na saída do enterro do seu vizinho e ficaram muito assustados, temerosos que a ira divina caísse sobre eles. Um pouco mais tarde o temporal foi diminuindo, a ventania parou e ficou apenas a chuva forte e persistente, fazendo barulho nas telhas. O brejo na beira do córrego, onde sempre plantavam arroz, começou a ficar cheio de água, pois a correnteza trazia muitos gravetos e tocos de arvores, entupindo o córrego e dificultando o escoamento de tanta água.

O fazendeiro que tinha encomendado o tostão de chuva ficou também impressionado, mas não dava o braço a torcer. Sentado na cadeira de palhinha da sua sala, balançava o corpo num ritmo gostoso, enquanto meditava e tirava baforadas longas do seu cachimbo. A cada vai-e-vem da cadeira, ouvia-se um pequeno rangido das tábuas largas de cedro do assoalho da grande sala. Certa hora chegou a ouvir claramente uma voz distante e meio estranha, que o chamava pelo nome e que lhe dizia: "Só estou mandando 250 réis, amanhã eu mandarei o resto". Sua mulher, que fazia crochê sentada numa marquesa de palhinha no canto da sala e uma escrava que passava na hora, tentando manter a lamparina acessa rumo a cozinha, chegaram também a ouvir o recado vindo dos céus. A mocinha deixou apagar a lamparina, caiu de joelhos e começou a rezar em voz alta a Salve Rainha. A dona da casa ficou muda e pálida, sem saber o que fazer.
 
Todos sentiram medo e ficaram estupefatos durante longos segundos. O fazendeiro vendo que a situação merecia uma resposta e tentando não demonstrar o seu pânico, respondeu com voz forte: "Desculpe São Pedro, pode ficar com o troco e não mande mais tanta chuva.". Dizem que depois disso, ele ficou diferente, nunca mais zombou das pessoas religiosas e até começou a acreditar em Deus. Doava todo ano um novilho para a Festa de São Sebastião e comparecia no leilão para arrematar alguma coisa. Só não acompanhava os terços e nem ia à capelinha.
 
No dia seguinte, tudo amanheceu diferente, o gado mugia satisfeito nos pastos sofridos e os cavalos corriam ligeiros pelas encostas, relinchando de vez em quando. Os animais também comemoravam. A chuva forte tinha passado e o céu ficou mais claro. A tarde veio uma chuvinha fina, daquelas que os agricultores gostam. Ficou assim durante vários dias. A seca brava tinha acabado.
 
* Baseado num resumo de Antonio de Pádua Costa, transcrevendo a narrativa de Dona Conceição.



24 de setembro de 2010

CONSERTEI O MUNDO

Um cientista muito preocupado com os problemas do mundo passava dias em seu laboratório, tentando encontrar meios de melhorá-los.

Certo dia, seu filho de 7 anos invadiu o seu santuário decidido a ajudá-lo. O cientista, nervoso pela interrupção, tentou fazer seu filho brincar em outro lugar. Vendo que seria impossível removê-lo, procurou algo que pudesse distrair a criança.

De repente, deparou-se com um mapa do mundo. Estava ali o que procurava. Recortou o mapa em vários pedaços e, junto com um rolo de fita adesiva entregou ao filho dizendo:

- Você gosta de quebra cabeças? Então vou lhe dar o mundo para consertar. Aqui estÁ ele todo quebrado. Veja se consegue concertá-lo bem direitinho! Mas faça tudo sozinho.

Pelos seus cálculos a criança levaria dias para recompor o mapa. Passados alguns minutos, ouviu o filho chamando-o calmamente. A princípio o pai não deu crédito às palavras do filho. Seria impossível na sua idade conseguir recompor um mapa que jamais havia visto.

Relutante, o cientista levantou os olhos de suas anotações, certo de que veria um trabalho digno de uma criança. Para sua surpresa, o mapa estava completo. Todos os pedaços haviam sido colocados nos devidos lugares. Como seria possível? Como o menino havia sido capaz?

- Você não sabia como era o mundo, meu filho, como conseguiu?

- Pai, eu não sabia como era o mundo, mas quando o senhor tirou o papel do jornal para recortar, eu vi que do outro lado havia a figura de um homem.

- Quando o senhor me deu o mundo para consertar, eu tentei, mas não consegui.

- Foi aí que me lembrei do homem, virei os recortes e comecei a consertar o homem, virei a folha e vi que havia consertado o mundo !!!

2030: O ANO DO FIM DO BIOMA CERRADO

Estudos da ONG ambientalista Conservação Internacional Brasil (CI-Brasil) indicam que o Cerrado deverá desaparecer até 2030.


Estudos da ONG ambientalista Conservação Internacional Brasil (CI-Brasil) indicam que o Cerrado deverá desaparecer até 2030. Dos 204 milhões de ha originais, 57% já foram completamente destruídos e a metade das áreas remanescentes estão bastante alteradas, podendo não mais servir à conservação da biodiversidade. A taxa anual de desmatamento no bioma é alarmante, chegando a 1,5%, ou 3 milhões de ha/ano. As principais pressões sobre o Cerrado são a expansão da fronteira agrícola, as queimadas e o crescimento não planejado das áreas urbanas. A degradação é maior em Mato Grosso do Sul, Goiás e Mato Grosso, no Triângulo Mineiro e no Oeste da Bahia.

O estudo, feito a partir de imagens satélites, é resultado da parceria da CI-Brasil com a ONG Oréades, que tem sede em Mineiros (GO). “O Cerrado perde 2,6 campos de futebol por minuto de sua cobertura vegetal. Essa taxa de desmatamento é dez vezes maior que a da Mata Atlântica, que é de um campo a cada 4 minutos,” explica Ricardo Machado, diretor da CI-Brasil para o Cerrado e um dos autores do estudo. “Muitos líderes e tomadores de decisão defendem, equivocadamente, o desmatamento do Cerrado só porque não é coberto por densas florestas tropicais, como a Mata Atlântica ou a Amazônia. Essa posição ignora o fato de o bioma abrigar a mais rica savana do mundo, com grande biodiversidade, e recursos hídricos valiosos para o Brasil. Nas suas chapadas estão as nascentes dos principais rios das bacias Amazônica, do Prata e do São Francisco.”

Entre os problemas provocados pelo desmatamento no Cerrado estão a degradação de rios importantes como o São Francisco e o Tocantins, e a destruição de hábitat que compromete a sobrevivência de milhares de espécies, muitas delas endêmicas, ou seja, que só ocorrem ali e em nenhum outro lugar do Planeta, como o papagaio-galego (Amazona xanthops) e a raposa-do-campo (Dusicyon vetulus). Junto com a biodiversidade estão desaparecendo ainda as possibilidades de uso sustentável de muitos recursos, como plantas medicinais e espécies frutíferas que são abundantes no Cerrado.

Segundo a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, já foram catalogadas mais de 330 espécies de uso na medicina popular no Cerrado. A Arnica (Lychnophora ericoides), o Barbatimão (Stryphnodendron adstringens), a Sucupira (Bowdichia sp.), o Mentrasto (Ageratum conyzoide) e o Velame (Macrosiphonia velame) são alguns exemplos.

“Além de calcular a velocidade do desmatamento, o estudo da CI-Brasil também mapeou os principais remanescentes desse bioma, analisando a situação de sua cobertura vegetal”, explica Mário Barroso, gerente do programa do Cerrado da Conservação Internacional Brasil e co-autor do estudo. “Esses dados serão incorporados à nossa estratégia de conservação para o bioma, que está baseada na implementação de corredores de biodiversidade.”

Os corredores de biodiversidade evitam o isolamento das áreas protegidas, garantindo o trânsito de espécies por um mosaico de unidades ambientalmente sustentáveis - parques, reservas públicas ou privadas, terras indígenas, além de propriedades rurais que desenvolvem atividades produtivas resguardando áreas naturais. Hoje, a CI-Brasil está implementando seis corredores de biodiversidade em regiões do Cerrado: Emas-Taquari, Araguaia, Paranã, Jalapão, Uruçuí-Mirador e Espinhaço. O IBAMA, a SEMARH - Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado de Goiás, a Universidade de Brasília e ONGs locais estão entre os parceiros da CI-Brasil nesses corredores.

Dados subsidiam ações de conservação

Os dados do desmatamento no Cerrado começam a ser apresentados pela CI-Brasil e seus parceiros a tomadores de decisão dos mais diversos níveis. Em reunião do Conselho Nacional de Biodiversidade - CONABIO, no início de Julho, o estudo foi apresentado ao Secretário de Biodiversidade e Florestas, João Paulo Capobianco. Depois da apresentação, o Secretário declarou que o Ministério do Meio Ambiente criará um grupo específico para discussão de medidas emergenciais para o Cerrado, como foi feito para a Amazônia e a Mata Atlântica.

No Estado de Goiás, que possui muitos remanescentes nativos valiosos de Cerrado, a apresentação do estado de conservação do Vale no Paranã ao Conselho Estadual do Meio Ambiente resultou na criação de Câmara Técnica temporária que discutirá e proporá ações de controle sobre o desmatamento na área. O Vale do Paranã, localizado na divisa dos Estados de Goiás e Tocantins, é considerado um centro de endemismo de aves, tem a maior concentração no Cerrado de um tipo de formação vegetal conhecido como floresta seca, e é remanescente de um corredor natural que ligava a Caatinga ao Chaco paraguaio há cerca de 20 mil anos. O trabalho da CI-Brasil na área é feito em parceria com a Embrapa Recursos Genéticos, a Universidade de Brasília e as organizações não-governamentais Pequi e Funatura.

No Corredor de Biodiversidade Emas-Taquari, que compreende áreas no Sudoeste de Goiás, Sudeste de Mato Grosso e Centro-Norte de Mato Grosso do Sul, os dados de desmatamento estão sendo compartilhados com as prefeituras municipais de 17 municípios. Com o Projeto Municípios do Corredor de Biodiversidade, a CI-Brasil em parceria com as ONGs Oréades e Oikos está fortalecendo órgãos de meio ambiente municipais e estudais em cada cidade.

Técnicos e gestores foram capacitados para o levantamento local de dados, confecção de mapas e aplicação da legislação ambiental. O projeto inclui ainda a criação de núcleos de educação ambiental e o envolvimento de outros atores locais, como lideranças comunitárias e promotores públicos.

“Para frear a destruição do Cerrado, os investimentos do Governo Federal na próxima safra agrícola devem incluir ações de conservação, especialmente na proteção de mananciais hídricos, na recuperação de áreas degradadas e na manutenção de unidades de conservação”, defende Machado. “Se o Governo, as empresas e a sociedade civil se mobilizarem para a criação de um fundo para a conservação do Cerrado associado aos investimentos destinados à produção de grãos, aí sim estaremos implementando, de forma justa e efetiva, a transversalidade da política ambiental no Brasil”.

Revista Eco 21, Ano XIV, Edição 92, Julho 2004. (www.eco21.com.br) - Andrea Margit Jornalista